Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

02
Dez 16

A música tinha na sua origem uma só função, situando-se apenas nos atos do culto religioso, não sendo expressão de um trabalho ou de um ato comum.

Na renascença, com o aparecimento do compositor, a música começa a rebentar os elos que a acorrentavam gerando a sua libertação, ultrapassando a complementaridade do serviço religioso, passando a alegrar os salões dos reis e dos nobres, nos concertos que tinham por missão divertir e entreter a assistência.

Com o advento do liberalismo nos finais do século XVIII, realizam-se os primeiros concertos públicos, operando-se a mudança rumo à generalização da música.

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É nesta fase que encontramos a primeira banda de música de Gontinhães, que só em 1924 passou a denominar-se Vila Praia de Âncora.

Por volta de 1850, durante uma fase de desenvolvimento cultural e económico de Portugal é fundada em Gontinhães, por um grupo de “curiosos”, uma filarmónica. Um dos primeiros mestres foi António Alves da Devesa. Esta povoação, tinha o seu principal núcleo populacional afastado do mar, tendo crescido em volta da sua velha igreja matriz. Segundo os censos de 1890, tinha 1804 habitantes, distribuídos por 408 fogos.

Em 1886 ainda com António Alves da Devesa na regência, dois músicos desta filarmónica, Rafael Francisco Martins Pinheiro e Sebastião Domingues tentaram controlar a sociedade e acabaram expulsos pelos demais. Como provavelmente as motivações políticas estivessem na origem do desentendimento, estes elementos acabaram por criar uma filarmónica, passando a distinguir-se por “Banda Velha” e “Banda Nova”.

A Banda Velha era afeta ao Partido Regenerador e a Nova ao Partido Progressista; cada uma tinha a sua claque de apoiantes que se deslocavam aos locais de atuação da sua banda e era raro as duas bandas tocarem juntas. Há até alguns episódios de má convivência e violência ao longo dos anos, nas escassas vezes em que participaram ambas na mesma festividade.

O primeiro mestre da Banda Nova foi Rafael Francisco Martins Pinheiro e em 1891 é Francisco Emílio Gonçalves Preza que assume a regência. Possivelmente, pela mesma época a Banda Velha também muda de mestre ficando a regê-la António Mendonça.

Ainda antes de 1900 há nova alteração na Banda Velha com a saída de António Mendonça que emigra para o Brasil, ficando Domingos António Alves Velho na regência.

Em 1896 fez-se em Gontinhães uma manifestação de apoio aos expedicionários de África, tendo as duas bandas atuado em conjunto e gratuitamente, interpretando o Hino Nacional, sem qualquer incidente.

Em 1903 ambas terão entrado em declínio, provavelmente devido à emigração de muitos dos seus músicos, extinguindo-se algum tempo depois.

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Por volta de 1905, Constantino Fernandes Fão, apaixonado pela música e grande bairrista, organiza novamente a banda, que será composta essencialmente por elementos muito jovens. A dirigi-la estará até ao fim da vida, salvo breves interrupções, o seu filho José Fernandes Fão, que vem a falecer em 1933. Em todos os serviços de coro – que nessa altura eram muitos – a regência era de Constantino Fernandes Fão.

Logo após a morte de José Fernandes Fão, surge um movimento organizado pelos músicos mais velhos, para darem continuidade a banda. Convidam Artur Martins Pereira, ancorense e sargento no ativo em Viana do Castelo, que já tinha pertencido à anterior banda. A regência de Artur Martins Pereira prolonga-se até ao início de 1937.

Só a partir de 1933 é que temos dados relativos à forma de manutenção das bandas. São os músicos que pagam as fardas através do desconto no produto das festas, contribuindo igualmente para a compra e reparação dos instrumentos. A divisão dos proventos era da seguinte forma: o mestre tinha direito a oito partes, um músico já feito a quatro, um músico em ascensão a três partes e um iniciado a duas partes.

Em 1937 é contratado para regente da banda Armando Alves Viana que se mantem à frente da banda até aos fins de 1939.

Dois anos depois regressa à direção da banda que estava mais ou menos inativa e em 1942 (18 de Maio) é ele que propõe à direção da Associação dos Bombeiros de Vila Praia de Âncora a integração da banda nessa associação humanitária.

A 30 de Maio de 1942 é incumbido pela direção dos Bombeiros António Afonso Costa para a reorganização da banda nesta associação, sendo tomadas várias iniciativa, designadamente a elaboração de um regulamento interno, que passado pouco tempo viria a revelar-se desadequado. No início de 1943 a banda toca pela primeira vez e pouco tempo depois, Artur Martins Pereira deixa a banda por ter de se ausentar.

Em Março de 1943 assume a regência José Gomes Lomba, que se mantem à sua frente até 1945.

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Em 1946 é contratado Carlos José de Araújo, de Viana do Castelo que se manteve até Março de 1952, ano da sua morte. Ao longo de 1952 foi ensaiador e regente em alguns serviços o mestre José Pedro Martins Coelho, natural de Viana do Castelo. Durante o mesmo período foram efetuados diversos serviços pelos regentes Armando Alves Viana e Teófilo Gualdino Pinheiro.

É nesta fase que a banda se vê obrigada a deixar de ensaiar no edifício sede dos Bombeiros, por motivo de obras, para ocupar a antiga escola primária do Santo, um edifício da Junta de Freguesia e no qual se manteve até à sua extinção.

No início de 1953 é contratado para regente Manuel Adelino Dias, de Viana do Castelo, que se manteve à frente da mesma até à sua extinção a 1 de Janeiro de 1958.

Desde meados da década de quarenta que a banda necessitava de músicos de “fora”, naturalmente mais caros, face ao desinteresse dos mais novos em aprenderem música. Neste contexto e a ausência de apoios por parte da maioria das pessoas da terra, ditaram a extinção da banda de música.

 

Recolha de João Carvalho, Joaquim Vasconcelos, Mário Rebelo de Sousa e Rafael Capela, para o NUCEARTES, efetuada em 1985.

publicado por Brito Ribeiro às 08:56

08
Nov 16

Os portugueses são os terceiros maiores consumidores de peixe a nível mundial, mas esta referência gastronómica pode estar em risco, devido às alterações climáticas, poluição, má gestão dos recursos e sobre exploração dos pesqueiros.

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Desde meados do século vinte que o consumo de peixe tem vindo a subir e estima-se que 90% dos recursos pesqueiros estejam sobre explorados ou no limite da sustentabilidade.

Desde 1961 que o crescimento do consumo está nos 3,2% ao ano, representando cerca de 160 milhões de toneladas anuais, ou seja, mais de 435.000 toneladas diárias.

Igualmente, a aquacultura tal como tem sido desenvolvida, não é solução; para produzir um quilo de dourada são precisos um quilo e meio de ração seca, a qualidade do produto final é discutível e não raras vezes portadores de substâncias nocivas à saúde humana. 62% da produção em aquacultura está localizada na China.

Hoje em dia, os produtos da pesca são praticamente os únicos alimentos "selvagens" consumidos regularmente nos países Ocidentais.

Um dos riscos que se corre na gestão da exploração de uma espécie é a sua sobre-exploração. Ou seja, poderá haver um excesso de capturas que ultrapassa a sua capacidade natural de reposição, tendo em conta as suas taxas de reprodução, de mortalidade e o lugar que ocupa na cadeia alimentar. E a insistência nesta forma de exploração durante algum tempo, essa população, ou mesmo a espécie, pode extinguir-se.

Por exemplo, isso aconteceu com o stock de bacalhau na Terra Nova, Canadá, que colapsou em 1992 devido ao excesso de pesca. Mesmo depois da implementação de várias medidas de proteção ao bacalhau ainda não recuperou satisfatoriamente nessa área.

Em Portugal, também há recursos pesqueiros como o lagostim e pescada que foram avaliados como “sobre explorados” em 2004 e apesar da União Europeia ter imposto um plano de recuperação em ambos os casos, em 2009 o estatuto dos stocks de lagostim portugueses foram considerados como "indefinidos", e o estatuto dos stocks da pescada mantinham-se como "sobre explorados".

No entanto, a maioria da pesca no nosso país é artesanal e costeira, feita em embarcações de pequeno porte e pescando para consumo local. Este tipo de atividade tem impacto ambiental geralmente menor do que a pesca industrial, em que são usadas embarcações de grande dimensão e artes de pesca menos sustentáveis como o arrasto.

A pesca em Portugal também é centrada em espécies em bom estado de conservação, o que contribui para reduzir o problema da sobre exploração, como o esforço para que os stocks nacionais da sardinha, espécie emblemática da nossa gastronomia, voltem a ser sustentáveis.

Tendo em conta a atual situação na exploração de pescas a nível mundial e o crescimento da população humana previsto para as próximas décadas, é provável termos de lidar no futuro com problemas cada vez mais graves, relacionados com a sustentabilidade dos recursos pesqueiros. Por isso, é recomendável respeitar os limites de capturas apontados pelos cientistas, para que esses recursos continuem a ser renováveis.

Os recursos naturais são esgotáveis quando usados de uma forma inconsciente, constatando-se que os mesmos são encarados apenas como matéria-prima no que se refere ao seu processo produtivo. Um aspeto fundamental para a mudança, destaca a perceção do mundo encarado como máquina, dando lugar a um mundo como sistema vivo. A mudança exigida diz respeito à perceção da natureza, do homem e da sociedade nas suas diferentes formas de organização. O novo paradigma necessita ser acompanhado por uma alteração positiva e significativa de valores, reforçando o “salto” da expansão para a conservação, da quantidade para a qualidade, da denominação para a parceria.

 

publicado por Brito Ribeiro às 15:15
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23
Out 16

Encontrei, por mero acaso, um apontamento sobre o médico Policarpo António Esteves Galeão, que me parece importante reproduzir, porque era um cidadão do Vale do Âncora e hoje totalmente esquecido, ou pior, desconhecido.

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 O Dr. Policarpo Galião nasceu a 13 de Março de 1836 em Freixieiro de Soutelo, filho de Francisco António Esteves Galião e de Alexandrina Barbosa. Frequentou a Escola Médico-Cirurgica do Porto entre 1858 e 1862, obtendo diversos prémios ao longo desta fase de estudos. Terminou o curso de medicina em 25 de Julho de 1862 com a defesa da dissertação “Da auto-plastia periostia nas pseudo-arthroses” um manuscrito de quatro capítulos, com 18 páginas.

Foi residir para Viana do Castelo tendo contraído matrimónio em 1864 com uma senhora abastada desta cidade. Exerceu medicina na cidade e no Vale do Âncora, primeiro como cirurgião ajudante e por fim como cirurgião-môr de diversos regimentos militares entre os quais Infantaria 3, tendo-se reformado com o posto de major, a 10 de Dezembro de 1892.

O Dr. Galião, como era popularmente conhecido, era uma pessoa modesta, moderado na palavra e nas relações, dedicando parte do seu tempo ao estudo e orientando a sua actividade no aperfeiçoamento das condições do exercício da medicina. Como naquela época não se cultivavam especialidades nas escolas de medicina, não será estranho encontrar referencias a áreas como a oftalmologia, a cirurgia abdominal ou o tratamento experimental a leprosos no quotidiano do Dr. Galião.

Quando em 1900 se fundou em Lisboa a “Liga Nacional contra a Tuberculose”, organizaram-se núcleos distritais, sendo o do Viana um dos primeiros. O Dr. Galião não se alheou da iniciativa e fez parte da direcção com o cargo de tesoureiro, dando apoio ao trabalho de propaganda então iniciado.

Com o seu feitio simples e despretensioso, abeirava-se dos doentes e procurava acudir-lhes com o seu saber, experiencia e dedicação.

Faleceu em Viana do Castelo a 28 de Maio de 1905, com 69 anos, vítima de tifo exantemático, contraído na assistência a infectados no bairro dos pescadores, irradiação da doença que então grassava no Porto e na Póvoa de Varzim.

Assim viveu entre a estima dos camaradas como militar, entre o respeito dos colegas como médico e da veneração dos pacientes, principalmente das classes mais desprotegidas.

Fontes: Arquivo do Alto Minho, Dicionário Histórico

publicado por Brito Ribeiro às 11:47
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18
Out 16

Por ocasião do IX Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia realizado em Lisboa no ano de 1880, Francisco Martins Sarmento, então com 48 anos, chamou as atenções da Europa culta para o nosso país, devido às eloquentes comunicações ao Congresso, a propósito dos trabalhos de investigação por ele realizados, com destaque para as escavações na Citânia de Briteiros e em Sabroso, iniciadas cinco anos antes. Os estudos em seguida publicados por estes homens de ciência, quer em Memórias e Relatórios, quer na imprensa, apresentaram Martins Sarmento aos meios culturais como tendo realizado um importante avanço, nos domínios da arqueologia peninsular.

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Conhecedor de várias línguas, completou no recolhimento do seu gabinete uma sólida preparação científica e um conhecimento profundo em áreas como a arqueologia, epigrafia, etnologia, etnografia, antropologia, linguística, mitologia e na interpretação das fontes clássicas greco-romanas da História da Península Ibérica.

Com este conhecimento, pode entrar na prática dos trabalhos de exploração no campo, que o inculcaram logo como um consumado arqueólogo. Não se assistiu à sua formação mental científica, que foi discreta e gradualmente preparada ao longo de anos, à mesa de estudo.

Concebeu a arqueologia no seu verdadeiro alcance, instrumento de confirmação e contra prova, pela análise directa dos monumentos, do conjunto de estudos e deduções teóricas sobre as origens e o desenvolvimento da civilização de um povo. Foi, portanto, igualmente notável nas duas modalidades do seu trabalho, quer na concentração do gabinete de estudo, quer empunhando a picareta do explorador.

As suas indagações e pesquizas não se limitaram a Briteiros e Sabroso, tendo reconhecido mais de sessenta castros, em grande parte inéditos.

Particularmente no distrito de Viana do Castelo localizou mamôas e dolméns procedendo a várias escavações tais como a Cividade de Âncora-Afife (iniciada a 17-10-1879), o Dólmen de Gontinhães (iniciada a 6-10-1879) e de Vile (iniciada a 13-10-1879).

Costumava o arqueólogo passar à beira mar dois meses por ano, geralmente em Setembro e Outubro, sendo as suas praias escolhidas, Âncora e Póvoa do Varzim. Na sua correspondência e cadernos de estudo encontram-se provas de ter estado a veranear em Âncora nos anos de 1879, 1881, 1882, 1888 e 1894.

Francisco Martins Sarmento era natural de Guimarães, tendo nascido a 9 de Março de 1833 e falecido a 9 de Agosto de 1899.

 

Resumo de um artigo escrito em Novembro de 1933 por Mário Cardoso, para o nº 1 do Arquivo de Viana do Castelo de 1934.

publicado por Brito Ribeiro às 15:22
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13
Out 16

Ainda a propósito do post anterior dedicado à apanha do sargaço, devo esclarecer que na vizinha Freguesia de Afife havia o costume das raparigas irem “ao mar” com um traje um pouco diferente das outras fainas habituais.

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Assim, era costume usarem chapéu de palha vulgar na cabeça e sobre este a trouxa de roupa, para vestir depois do trabalho na apanha do sargaço.

Camisa de linho grosseiro (estopa). O colete é igual ao do traje de ir à erva, ou seja, um colete mais simples do que o de luxo, mas com desenhos a vidrilho e lentejoulas.

Ao peito, lenço vermelho, simples com penachos ou franjas, a que chamam “lenço garôto”, idêntico ao que é usado na cabeça do traje de ir à erva.

Nos pés usam sapato de pano resistente e a saia é de estopa grosseira, com barra estreita, aos quadrados miúdos, azuis e brancos.

Ao ombro carregam o “redenho”, instrumento próprio para a apanha do sargaço.

 

Fonte: Monografia de Afife (1945)

publicado por Brito Ribeiro às 11:03
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09
Out 16

Além dos naufrágios, aponta-se a emigração para o Brasil e colónias Africanas como uma das causas para a despovoação de homens aptos e a substituição pelas mulheres, em tarefas como a apanha do sargaço, que a partir do século XVIII teve forte procura por parte dos agricultores locais e também dos lavradores abastados, provenientes de terras do interior do país, que pagavam em dinheiro vivo.

Este súbito incremento na procura das algas, está relacionado com a introdução do milho e da batata na dieta alimentar portuguesa, sendo responsável pela melhoria da alimentação, logo pelo aumento da esperança e qualidade de vida.

Desde finais do século XVIII até aos anos sessenta do século passado, o crescimento da produção de batata e milho no litoral norte, conduziu à expansão dos campos agrícolas e ao aproveitamento de novos terrenos com menor aptidão produtiva, como solos arenosos, que só a custa de fertilização abundante com algas ou patelo, podiam tornar mais produtivos.

Esta expansão foi tão relevante que a pesca do patelo e a apanha do sargaço se transformaram em prósperos motores económicos do litoral norte, gerando proveitos a pescadores e lavradores que possuíam os meios necessários ao negócio (uns o barco, outros o dinheiro), dando trabalho a grande quantidade de pessoas, camponeses sem terras, carreteiros, carregadores e cabaneiros.

Os grupos de sargaceiros, outrora constituídos exclusivamente por homens passam a mistos, embora com a oposição de alguns sectores da sociedade, como a Igreja.

Ao sargaço retirado da praia aplicava-se o imposto universal do dízimo, 10% do produto recolhido revertia para a igreja, com excepção do sargaço que fosse para adubar as terras da própria freguesia; se este fosse vendido já era aplicado o dízimo. Existiu uma longa disputa entre os moradores e a Igreja, que se prolonga entre os séculos XVI e XIX, sobre os dias em que se podia apanhar o sargaço.

Na coerência da doutrina da Igreja a apanha das algas, como qualquer outro trabalho, não devia realizar-se aos domingos e dias santos feriados. Porém, devido ao elevado valor do sargaço e porque as algas por vezes davam à costa aos domingos, a pressão para que a apanha de algas nesses dias foi tal, que começa por ser tolerada pelo bispo de Braga em 1725, embora com regras, cuja não observância conduzia ao pagamento de multas, conhecidas popularmente por "As penitencias do argaço". Existiam disposições especiais para a apanha de algas por mulheres tais como, não podiam apanhar algas à noite na presença de homens e mulheres solteiras só podiam apanhar algas à noite na companhia do pai.

Os Franciscanos que habitavam no Convento da Ilha da Ínsua, na foz do Rio Minho, opunham-se a que mulheres (mesmo vestidas de homem) procedessem à apanha de algas na ilha da Ínsua e nem os homens podiam pernoitar na ilha, sendo obrigados a rumar a terra ao fim da tarde.

Raul Brandão, na obra “Os Pescadores”, diz a determinado ponto,

 "Em Âncora, homens e mulheres apanham, secam, dobram em mantas, carregam nos carros, a dorso de jericos, ou simplesmente à cabeça, o sargaço e as algas, que, com o patelo, são o alimento e a fartura destas terras. As mulheres de gadanho e ancinho, de saia ensacada e perna à mostra, apanham as algas na flor das ondas ou no fundo das poças quando a maré vaza; rapam-na de pedras esverdeadas; estendem-nas no areal a secar ou despejam-na nos carros enquanto os bois pastam as ervas e amargas que crescem à beira-mar, salpicadas de espuma.

Embora no Portinho d’Âncora se fizesse apenas a apanha apeada do sargaço com as ferramentas próprias, havia nas proximidades outros portos que utilizavam a masseira para esta finalidade. Existiam 1 masseira na Ínsua, 10 em Moledo, 2 no Caneiro do Forte do Cão, 8 em Afife, 12 em Paçô (Montedor Norte), 2 em Fornelos (Montedor Sul) e 6 na Fonte do Mar (Montedor Sul).

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1930 - Portinho d'Âncora - Lavradores carregam o sargaço

A apanha do sargaço era também motivo para grandes discussões e desavenças, designadamente quando se relacionava com a questão do interdito religioso. Os cidadãos que respeitavam a proibição e se abstinham de ir à praia nos dias santificados, pelo menos antes da missa, protestavam contra os que não cumpriam estas regras, e daí surgirem frequentemente as discórdias e as pancadarias, que naturalmente se agravavam se alguns dos contendores procediam de freguesias vizinhas.

Há comunidades em que a apanha do sargaço estava associada a uma indumentária própria, o que não é o caso das gentes de Âncora, que iam para o mar com as suas roupas habituais, levando consigo uma muda de roupa seca, para usar quando saíssem da água. Isto porque a apanha do sargaço na zona da Lagarteira era efectuada após o mar ter arrojado as algas ou então entre as pedras da “ribeira”, não havendo necessidade de entrar mar adentro para arrastar o sargaço para terra. Presume-se também que a competição nesta actividade agro marítima não fosse aqui tão intensa como noutras comunidades, onde os sargaceiros eram forçados a avançar mar a dentro para serem os primeiros a alcançar o sargaço. 

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Sargaceiros da zona da Apúlia

Em comunidades como a Apúlia, Esposende ou A Ver-o-Mar utilizava-se uma vestimenta própria, a branqueta, que designa o casaco de abas largas, tipo saio romano, até meio da coxa, cingido ao corpo até à cintura e alargando para baixo, em forma de saiote, de modo a deixar livres os movimentos das pernas. É abotoado de alto a baixo por pequenos botões e remata, no pescoço, com gola baixa. As mangas são compridas e justas ao braço. À cintura o sargaceiro usa largo cinto preto, de cabedal.

Na cabeça o sargaceiro usa o sueste, espécie de capacete romano, com copa de quatro gomos reforçados e duas palas: uma, curta, na frente, e outra, mais larga e comprida, atrás. Deste modo é-lhe possível enfrentar as ondas alterosas, sem que a água lhe molhe a cabeça e o pescoço, e lhe penetre nas costas. Feito do mesmo tecido da branqueta, passa por diversas fases de impermeabilização e é, por fim, pintado com tinta branca.

Nestas comunidades a mulher sargaceira assume um papel secundário durante a mareada, já que o trabalho árduo e perigoso de enfrentar as ondas é da exclusiva responsabilidade do homem. Por isso a sua indumentária é mais delicada e, normalmente, apenas entra no mar com água até ao joelho, para ajudar o homem a arrastar para terra o galhapão cheio de sargaço arrebatado ao mar. Assim, ela veste saia rodada, do mesmo tecido da branqueta, bem cingida à anca por larga faixa preta, sarjada, e blusa branca, de linho. Um colete adamascado preto, sem mangas, e bordado a linha de seda em cores garridas, envolve-lhe o tronco e protege-lhe o peito. Na cabeça usa lenço de merino.

 

Foi já no século XX que se instituiu que para proceder à apanha do sargaço era necessário estarem munidos das respectivas licenças emitidas pela Capitania e do direito de seca na parte alta da praia ou dunas.

Nos portos em que era usada a masseira para a apanha do sargaço, as embarcações andavam entre os rochedos junto à costa para os tripulantes arrancarem o sargaço ainda preso. Depois de cheia, a masseira varava na areia, a carga era descarregada para as “padiolas” e estendida a secar nas dunas ou carregada directamente para o carro de bois.

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 1956 - No "caneiro" do Forte do Cão - Âncora

Esta actividade agro marítima começou a definhar nos anos sessenta do século passado, passando os campos a serem adubados com preparados químicos, mais fáceis de adquirir e mais práticos de distribuir. Hoje em dia, é uma actividade residual, em que o transporte é efectuado com o auxílio de tratores agrícolas.

 

Bibliografia: A Masseira Ancorense

 

 

publicado por Brito Ribeiro às 18:10
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24
Ago 16

Os portugueses são os terceiros maiores consumidores de peixe a nível mundial, mas esta referência gastronómica pode estar em risco, devido às alterações climáticas, poluição, má gestão dos recursos e sobre exploração dos pesqueiros.

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Desde meados do século vinte que o consumo de peixe tem vindo a subir e estima-se que 90% dos recursos pesqueiros estejam sobre explorados ou no limite da sustentabilidade.

Desde 1961 que o crescimento do consumo está nos 3,2% ao ano, representando cerca de 160 milhões de toneladas anuais, ou seja, mais de 435.000 toneladas diárias.

Igualmente, a aquacultura tal como tem sido desenvolvida, não é solução; para produzir um quilo de dourada são precisos um quilo e meio de ração seca, a qualidade do produto final é discutível e não raras vezes portadores de substâncias nocivas à saúde humana. 62% da produção em aquacultura está localizada na China.

Hoje em dia, os produtos da pesca são praticamente os únicos alimentos "selvagens" consumidos regularmente nos países Ocidentais.

Um dos riscos que se corre na gestão da exploração de uma espécie é a sua sobre-exploração. Ou seja, poderá haver um excesso de capturas que ultrapassa a sua capacidade natural de reposição, tendo em conta as suas taxas de reprodução, de mortalidade e o lugar que ocupa na cadeia alimentar. E a insistência nesta forma de exploração durante algum tempo, essa população, ou mesmo a espécie, pode extinguir-se.

Por exemplo, isso aconteceu com o stock de bacalhau na Terra Nova, Canadá, que colapsou em 1992 devido ao excesso de pesca. Mesmo depois da implementação de várias medidas de proteção ao bacalhau ainda não recuperou satisfatoriamente nessa área.

Em Portugal, também há recursos pesqueiros como o lagostim e pescada que foram avaliados como “sobre explorados” em 2004 e apesar da União Europeia ter imposto um plano de recuperação em ambos os casos, em 2009 o estatuto dos stocks de lagostim portugueses foram considerados como "indefinidos", e o estatuto dos stocks da pescada mantinham-se como "sobre explorados".

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No entanto, a maioria da pesca no nosso país é artesanal e costeira, feita em embarcações de pequeno porte e pescando para consumo local. Este tipo de atividade tem impacto ambiental geralmente menor do que a pesca industrial, em que são usadas embarcações de grande dimensão e artes de pesca menos sustentáveis como o arrasto.

A pesca em Portugal também é centrada em espécies em bom estado de conservação, o que contribui para reduzir o problema da sobre exploração, como o esforço para que os stocks nacionais da sardinha, espécie emblemática da nossa gastronomia, voltem a ser sustentáveis.

Tendo em conta a atual situação na exploração de pescas a nível mundial e o crescimento da população humana previsto para as próximas décadas, é provável termos de lidar no futuro com problemas cada vez mais graves, relacionados com a sustentabilidade dos recursos pesqueiros. Por isso, é recomendável respeitar os limites de capturas apontados pelos cientistas, para que esses recursos continuem a ser renováveis.

Os recursos naturais são esgotáveis quando usados de uma forma inconsciente, constatando-se que os mesmos são encarados apenas como matéria-prima no que se refere ao seu processo produtivo. Um aspeto fundamental para a mudança, destaca a perceção do mundo encarado como máquina, dando lugar a um mundo como sistema vivo. A mudança exigida diz respeito à perceção da natureza, do homem e da sociedade nas suas diferentes formas de organização. O novo paradigma necessita ser acompanhado por uma alteração positiva e significativa de valores, reforçando o “salto” da expansão para a conservação, da quantidade para a qualidade, da denominação para a parceria.

 

 

publicado por Brito Ribeiro às 11:29

20
Jul 16

A figura imponente do lobo remete-nos para um imaginário misterioso com origem muito antiga. Até à atualidade, este predador de topo gerou mitos e histórias assombrosas, onde as noites de nevoeiro, as fogueiras, as sombras ameaçadoras e os uivos lancinantes fazem parte desse mesmo imaginário.

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O lobo-ibérico (Canis lupus signatus) é uma subespécie do lobo cinzento ameaçado de extinção em Portugal, perseguido por caçadores furtivos, venenos, armadilhas e pela destruição progressiva do seu habitat.

Cientes do perigo do seu desaparecimento, foi criada uma lei específica e vários projectos de conservação, congregando investigadores, organizações cívicas e autoridades.

O Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG) é o mais importante reduto do lobo ibérico em estado selvagem do noroeste peninsular, onde dificilmente se alimenta das suas presas naturais, como o corço ou o javali. Geralmente a alimentação escasseia, obrigando as alcateias a atacar rebanhos de ovinos e caprinos, gado vacum e garranos semi selvagens. Lobos e homens partilham este território há séculos e isso cria naturalmente conflitos com as comunidades locais, devido aos prejuízos causados nos rebanhos.

O PNPG é classificado pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera e justamente considerado uma das maiores atracções naturais de Portugal, pela impressionante beleza paisagística, pela variedade de fauna e flora e pelo interesse ecológico e etnográfico. É a mais antiga área protegida de Portugal e a única com a categoria de Parque Nacional, sendo o único parque da Península Ibérica com a restrita classificação de PAN Park, dada a sua extensa área selvagem e a sua riqueza natural e cultural.

Nos últimos tempos os lobos tem vindo a atacar com bastante frequência e com uma audácia crescente, rebanhos e cabeças de gado, quer no monte durante o pasto, quer junto às habitações, quando já estão recolhidas.

Os produtores de gado estão muito preocupados e revoltados, porque a lei que protege os lobos, contem também mecanismos de salvaguarda de prejuízos causados pelos predadores aos agricultores, só que as indemnizações chegam “tarde e mal” e cobrem em média 20% dos prejuízos reais. Queixas de que os técnicos do Estado demoram muito a confirmarem a morte dos animais, que o valor pago não corresponde ao valor real dos animais ou a não comparticipação nas despesas de tratamento dos animais feridos, bem como queixas de que os pagamentos demoram um ano ou mais, quando os produtores tem poucos dias para repor o efetivo, ouvem-se um pouco por todo o lado e o cenário restrito que se vivia nas comunidades agro pastoris do PNPG, alargou-se a zonas relativamente afastadas, com particular destaque para as zonas montanhosas dos concelhos de Paredes de Coura, Vila Nova de Cerveira e Caminha.

Juntando a componente cultural que atribui uma imagem negativa do lobo, aos prejuízos causados pelas alcateias, compreende-se a revolta das populações afetadas e por isso urge implementar medidas minimizadoras dos impactos causados, como a indemnização justa e célere dos prejuízos. A promoção de ações de sensibilização e educação ambiental poderá contribuir para a diminuição efetiva dos conflitos homem-lobo.

Uma das medidas que tem sido implementada (com alguma timidez, diga-se), é a utilização de cães de gado para proteção dos rebanhos, mas que segundo os técnicos tem vindo a revelar-se de grande eficácia, promovendo-se também a divulgação de raças caninas portuguesas como o cão Castro Laboreiro, o Serra da Estrela, o Rafeiro Alentejano e o cão de gado transmontano (no Parque Natural de Montesinho). A redução geral dos prejuízos nos rebanhos assim protegidos, tem levado à adesão progressiva dos pastores a esta prática antiga, que tinha caído em desuso nas últimas décadas.

É também necessário implementar medidas que melhorem o rendimento económico das populações rurais, designadamente, promovendo o ecoturismo que tire partido de aspetos biológicos deste animal e do património cultural a ele associado, de modo a que as receitas geradas esbatam a conotação negativa associada ao lobo.

publicado por Brito Ribeiro às 18:58
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05
Jun 16

Com mais uma época estival à porta, a “Praia das Crianças” espera os seus utentes, miúdos e graúdos que vem descansar e gozar as delícias do sol, das águas frescas do Atlântico e da brisa fresca do quadrante norte. Assim o permita o S. Pedro, não nos brindando com aquelas nortadas tão características ou pegajosos e tristonhos nevoeiros.

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A Bandeira Azul que irá ostentar no alto do mastro maior, representa não só a boa qualidade das águas balneares, como também o esforço conjugado que tem sido feito nos últimos anos para controlar os parâmetros sanitários das águas do Rio Âncora.

No entanto o galardão alcançado não pode enquistar à volta da qualidade das águas e dos equipamentos legalmente exigidos, mas ser mais abrangente, nomeadamente às condições de acessibilidade e à qualidade e limpeza das areias. E aqui reside a razão do meu reparo de hoje. O areal entre o “Redondo” e o “Cais Sul”, lugar conhecido entre os Ancorenses por “Moureiro”, não tem a qualidade a condizer com os pergaminhos da “Praia da Crianças”.

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Antes da construção dos molhes do novo Porto de Mar, toda a zona do “Moureiro” era invadida pelo mar nos meses de inverno que trazia e levava areia consoante as condições momentâneas da dinâmica costeira. Assim a areia era lavada, expurgada de poeiras e outros resíduos, pronta a ser utilizada no verão seguinte sem reparos de maior. A crítica que mais se escutava era, por vezes, que o mar não repunha areia suficiente e as pedras ficavam à vista pelo meio do areal. Nada a que os veraneantes não estivessem habituados.

Hoje em dia a situação é diametralmente diferente, pois a areia foi-se acumulando e já não é “sovada” pelo mar, devido ao efeito de corte/desvio de ondulação proporcionado pelos novos molhes. De ano para ano nota-se mais poeira no areal, perdeu o característico tom brilhante e em dias de vento é um suplício com nuvens de poeira no ar. Outro sinal preocupante é a facilidade com que surgem no areal pequenas plantas, sinal inequívoco de condições de colonização vegetal, algo que não era suposto haver naquele local.

Em minha opinião, já se deviam ter implementado medidas minimizadoras deste fenómeno, baixando mecanicamente o perfil da praia em cada outono, de modo a que o mar faça as suas investidas invernais e proceda à remoção das poeiras (ou “finos”) acumuladas, trazendo na primavera seguinte areias devidamente higienizadas.

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Além disso, da maneira como a praia está neste momento, com a areia, em vários pontos, quase ao nível da avenida marginal, corre-se o risco de num dia de temporal, com mar de sudoeste, este galgue o paredão, invada a via pública e o casario, provocando danos de vulto. Calculo que o nível da praia neste local tenha subido em média entre 1,5 m e 2 metros.

Termino como como comecei, referindo a satisfação pela qualidade das nossas águas balneares, que levaram à conquista da Bandeira Azul Europeia. Vamos lá a ver se não a perdemos pela falta de qualidade/higiene do areal…

 

 

publicado por Brito Ribeiro às 16:49

14
Fev 16

Há um ano atrás escrevi nas páginas da revista "Vale Mais" um artigo sob o título “A impermeabilização dos solos”, no qual apontei algumas consequências daí decorrentes, bem como do estrangulamento ou supressão das linhas de “águas bravas”. O que aconteceu recentemente na vila de Albufeira, no Algarve, foi uma lição eloquente sobre os erros de ordenamento de que grande parte dos municípios é fértil, designadamente os do litoral.

Hoje em dia, começa a alterar-se o paradigma dos projectos relacionados com infra-estruturas básicas, não passando tanto pelas extensões de rede, mas pela correção de erros anteriores e substituição de materiais desapropriados ou obsoletos. No entanto, falta coragem e meios para atacar o problema pela raiz, porque iria colidir com interesses de poderosas empresas ou instituições, com direitos adquiridos e com uma lei, que na maior parte das vezes não defende o Estado, nem a causa pública.

Mais que encontrar desculpas esfarrapadas para consumo mediático, tais como as alterações climáticas (que existem, sem dúvida), é necessário tomar consciência que a culpa pertence ao homem que provoca o desequilíbrio ambiental do planeta, com o somatório de pequenas interações isoladas que todos conhecemos. A fábrica que produz resíduos tóxicos, o efluente de saneamento descarregado no ribeiro, a barragem que alterou o ecossistema regional, o porto de mar que modificou a dinâmica costeira, o entubamento do riacho para facilitar a urbanização, o fogo florestal que destruiu o pulmão da região e provocou a erosão do solo ou o aumento exponencial do trânsito automóvel, são apenas alguns exemplos de questões que nos devem preocupar e que tem de entrar nas agendas políticas dos governantes.

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No caso concreto da Bacia Hidrográfica do Rio Minho, a poluição associada às descargas dos efluentes de saneamento doméstico e industrial, bem como a construção de 43 barragens ao longo do seu curso ou dos seus afluentes, transformaram um ecossistema riquíssimo do ponto de vista ambiental, mas também do ponto de vista dos recursos económicos, num curso de água que se debate diariamente com um conjunto de problemas difíceis ou impossíveis de ultrapassar.

Se a poluição tem vindo a diminuir fruto de investimento público em sistemas de tratamento de efluentes, a questão das barragens condiciona em absoluto o ciclo de reprodução das espécies migradoras como a lampreia, o sável ou o salmão. Destes verdadeiros ex-libris do Rio Minho, o sável está em grave declínio, o salmão está praticamente extinto, mantendo a lampreia um nível de capturas mais ou menos estável.

No momento em que escrevo este pequeno artigo, infelizmente as questões ambientais foram suplantadas por uma preocupação maior e de consequências imediatas, o terrorismo, um absurdo que está provocar uma alteração profunda na complexa sociedade da Europa e bacia Mediterrânica.

Saibamos nós dar uma resposta decente aos desafios que nos colocam.

 

 

publicado por Brito Ribeiro às 10:37

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